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O meu nome é Ninfa Artemis. O meu grupo sanguíneo é O Rh positivo. O meu grupo sanguíneo é dador universal: qualquer pessoa com RH positivo, seja qual for o seu grupo sanguíneo O, A, B ou AB, poderá recebê-lo. Sou autora de todas as letras e músicas que interpreto. Relativamente à minha vida pessoal: sou solteira, não tenho descendentes, tenho curso superior e nos últimos anos, quando não estou no emprego, todo o tempo que me resta é investido na música. Nada mais há para além disto, a não ser a esperança. Assusto-me ao pensar como tudo começou: videntes, profecias e palermices. Quem está nestas coisas da música sabe que eu poderia ter desmaiado sobre um chão coberto de espinhos e estes, terem-se cravado dolorosamente na minha pele. A minha ingenuidade e desconhecimento de como as coisas funcionam no mundo da música poderia ter resultado num riso trocista, descarnado de compaixão, dos mais experientes. Desde pequena que gosto de música e acompanha-me a sensação, também desde pequena, de que um dia irei assumir compromisso sério com a música. Durante muito tempo a sensação foi passiva: não despertou em mim a criatividade para projectos musicais nem incentivou a procura de propostas musicais. A sensação, e desejo, de compromisso com a música tornou-se passiva por as minhas circunstâncias me intimidarem: não tinha, e mesmo hoje só tenho o músico com quem trabalho (Marcus Levy), ninguém ligado à música - nem familiares, nem amigos, nem colegas de trabalho, nem amigos de amigos, ninguém. Os locais por onde passei enquanto estudante, ou os locais onde vivi, também não incentivavam a existência de projectos musicais: os eventos musicais, quando existiam, passavam sempre por bandas já relativamente conhecidas pelos media ou então, a minha inexperiência não fazia ver onde estavam as oportunidades. O tempo foi passando, comecei a trabalhar e mais alguns anos passaram. Depois, por circunstâncias da vida, encontrei videntes que insistiam, e afirmavam, em um outro rumo para a minha vida, que o meu emprego que conservava há anos, um dia tinha de ser, e seria, abandonado. Em Fevereiro de 2000 comecei a escrever letras para canções e até ao final do ano tinha escrito duzentos e quarenta canções (nas duas primeiras horas, escrevi quatro canções, tal era a minha alegria por este novo mundo). Depois, interrompi por ter esgotado a minha criatividade. Em Abril de 2002 retornei à música, desta vez como compositora de treze canções minhas cuja maquette gravei em estúdio. Iniciei esta gravação em Agosto de 2003 e terminei-a em início de 2004. A maquette foi retomada posteriormente em 2005 para melhoramentos. Também em 2005, mas em Janeiro, numa altura em que estive acamada e doente, escrevi, em uma semana apenas, todas as treze letras do projecto “Extreme”. A gravação do “Extreme” começou em 2006 e será finalizado até finais de 2007 ou em início de 2008. Sou bastante rápida na composição musical mas o ritmo de concretização dos projectos musicais, em estúdio, é muito lento: depende da minha disponibilidade e da disponibilidade do músico Marcus Levy. Também está dependente de questões técnicas pois não toco instrumento algum, nem tenho formação musical e faço a composição dos temas (em casa) cantarolando para um gravador. Depois o Marcus Levy precisa de algumas horas para fazer a instrumentação e rectificação do que ouve cantarolado. A música obedece a regras musicais que eu desconheço (daí talvez a minha originalidade). Se para um leigo tal instrumentação parece tarefa fácil, antes de encontrar o Marcus Levy tive dificuldade em conseguir quem o fizesse. Por curiosidade, posso informar que escrevo primeiro as letras e só depois faço a melodia. O Marcus sempre me disse que eu estava a fazer a casa pelo tecto. Eu, por sua vez, nunca percebi como é possível aos músicos fazerem primeiro a melodia e só mais tarde, eles (ou outros), conceberem as letras pois, considero ser mais difícil criar palavras que encaixem exactamente na métrica da música que uma música que se encaixe no sentimento e métrica das palavras já existentes. Existem regras musicais rígidas, regras essas nas quais os músicos foram educados e embora, eles, digam que na música tudo é possível, quando apareceu alguém (eu) que compõe apenas por instinto, usando a voz como instrumento único de composição, sem o suporte de um piano ou viola, muitos músicos mudaram imediatamente o discurso para me dizerem que as coisas não eram tão simples como eu pensava e, esquivaram-se de me ajudar. Procurei-os em escolas, academias e conservatórios de música. Marcus Levy tem uma licenciatura em “Gestão e Administração de Empresas” e mestrado em “Economia Internacional”. Como se pode deduzir, em nada relacionada com a música, tal como a minha licenciatura mas, ao contrário de mim, desde muito cedo concretizou a sua vocação para a música. Começou aos doze anos como guitarrista e aprofundou os seus conhecimentos musicais. Depois, paralelamente à sua actividade profissional, manteve sempre o exercício da música, até que fez, há vinte anos atrás, uma opção definitiva e exclusiva pela música. Marcus Levy é o único músico com quem trabalhei até hoje. É responsável único por todos os meus projectos: execução musical, engenharia de som e produção mas a produção executiva está a meu cargo. Para as músicas poderem ser “minhas” e não o resultado de técnicas racionais que reflectem fórmulas do mercado discográfico, terá de ser assim, tenho de assumir a produção executiva. Para já faço as músicas que quero e conforme quero. Não tenho quem me pressione, apenas a minha cabeça é o meu guia. Ainda não conheço bem a realidade da indústria musical e ainda não me deixei paralisar pelo medo. No entanto, começo a acordar e a ver que muitos artistas/bandas batalham por ter uma “máquina económica”, sob a forma de uma grande editora discográfica, que suporte todas as despesas do markting. Este último, por sua vez, aplicará todas as técnicas conhecidas que garantam o sucesso do artista/banda em causa. Tenho uma sorte excepcional, e magnética, que sobeja para dar aos outros mas tenho olhos e vejo os outros (há muita gente em estúdio, como eu, a gravar música por conta própria) pensarem, e recearem, que sem uma tal máquina económica ficam tão visíveis como as moléculas de oxigénio do ar. Não sei se a minha sorte magnética me bastará. O markting não serve só para passar uma imagem fabulosa do artista, mas publicitar, e isso é que é insuportavelmente caro, em todo lado e a todo o momento, o artista/banda e as respectivas músicas que interpretam. Nos meios de comunicação, tais como rádio, televisão, imprensa escrita, são referenciados quase sempre os mesmos artistas e daí, muitas pessoas não se aperceberem da existência de uma quantidade, enorme, de artistas nos mais variados géneros musicais (apesar de existirem algumas, poucas, revistas de música e rádios locais que tentam dar destaque a uma ou outra banda). Tal como nos hipermercados em que os artigos com uma forte publicidade aparecem em prateleiras ao nível dos olhos (mais visíveis e mais acessíveis à mão), também na música é preciso uma exposição imediata aos “olhos” senão as pessoas não se apercebem da existência do artista/banda. Quando se entra para este mundo da música, os “mitos”, “segredos” e “mentiras”, surgem com aspas, pois não são verdadeiros mitos, nem verdadeiros segredos, nem verdadeiras mentiras: as coisas tornam-se óbvias - são feias por exigirem grandes esforços para se atingir as tais “prateleiras de visibilidade”. Para mim, que estava do lado de fora, a rádio e a televisão, pareciam muito amigáveis, ou seja, induziam-me a ideia de que todos os artistas tinham iguais oportunidades de exposição, obviamente que estava distraída: se tal fosse verdade não era preciso a existência de uma máquina económica para pagar o markting de uma exposição continuada. A sensação de compromisso com a música, que de pequena me acompanha, tornou-se activa, a um domingo à noite, a 13 de Fevereiro de 2000. No dia a seguir a esse dia 13 comecei a escrever canções. Isto porque ao telefone, nesse domingo à noite, uma vidente brasileira a viver no Brasil, perguntava-me porque não canalizava a tristeza do que estava a ocorrer na minha vida para a escrita de canções dado que, segundo ela, eu tinha uma capacidade inata para a escrita. Eu estava a acusá-la, quase directamente, de responsável por essa minha tristeza devido a erros seus de previsão em finais de 1998 mas ela retorquiu: “Você tem uma vocação/capacidade inata para a escrita. Escreva letras para canção. Você vai ser cantora. Vai ser muito famosa, vai ver o mundo. Uma multidão de multidões virá até si e bons momentos virão. Relativamente a ele, você verá que não passou de uma paixoneta, não era a ele que eu me referia e embora a sua alma gémea venha do mundo da música, não era este o músico, ele ainda está para vir” e nada mais disse por estar ressentida com as minhas acusações e, a conversa terminou. Conheci esta vidente em finais de 1998, numas mini férias, de uma semana. Uma colega de trabalho tinha planeado ir uma semana com o namorado ao Brasil mas uma zanga birrenta, e de tom retaliatório, fez romper o compromisso da viagem. No meio da discussão, segundo a própria, ele disse-lhe que não estava mais para aturar as birras dela (nos últimos tempos andavam a discutir por tudo e por nada, acusando ele a ela de começar sempre as discussões. A relação tinha entrado em monotonia e, por aquilo que observei, a presença um do outro entediava-os. Separaram-se, definitivamente, poucas semanas depois desta discussão. Hoje vivem em cidades diferentes, nunca mais se viram e casaram com outros). Portanto, ele dizia-lhe que pagava o bilhete de avião a qualquer amiga que quisesse ir com ela em vez dele! Assim, fui eu! Chegadas ao Brasil, eu que andava com a ideia de que adorava conhecer um(a) vidente, atraí até mim por magia inconsciente, através da sincronização de eventos, uma conversa casual com uma brasileira. Não me lembro a que propósito, no meio da conversa, ela disse ter uma cunhada que era vidente. A cunhada trabalhava, mas à noite, após o trabalho, fazia sessões individuais de vidência pois possuía esse dom, bastando-lhe o nome completo, data de nascimento e o seu tarot. Consultei essa vidente. Disse-me que havia alguém interessado em conhecer-me melhor (dois meses antes tinha começado a corresponder-me pontualmente, por email, com um músico que juntamente com a sua banda tinham alcançado alguma relativa notabilidade. Os emails eram coisas simples sem importância mais para mostrar a minha admiração aos quais ele retribuía). Depois disse que o homem da minha vida, era também a minha alma gémea, nós já tínhamos estado juntos em outra vida, encontrar-nos-íamos novamente nesta vida e disse-me que quando tal sucedesse ambos teríamos um choque, uma espécie de susto pois iríamos ter a sensação de que nos conhecemos desde sempre. Começou a rir com os olhos fixados nas cartas do tarot, como se estivesse a ver o filme e o choque de ambos fosse uma situação caricata de se ver. Segundo ela, eu tinha sido retirada a ele (o meu grande amor de outra vida e desta vida) por ter sido assassinada. A razão do meu assassinato prendia-se com o facto de eu, por incumbência, estar associada à corte, aos reis, e parecia que eu sabia demais: pessoas inimigas ao rei, infiltradas na corte, consideraram-me um obstáculo aos seus intentos e decidiram silenciar-me. Eu não pertencia à nobreza mas muito cedo revelei ter o dom da visão do futuro. Tal facto tinha corrido distâncias e chegado aos ouvidos da rainha que mandou chamar a mim e aos meus pais. Fui testada e as previsões acabaram por se revelarem certeiras. Então a troco de ajuda monetária à minha família e protecção, em geral, à minha aldeia em caso de guerras ou de vândalos, este último caso mais frequente, eu viveria nas redondezas do castelo com os criados (servos) do rei e seria bem cuidada. Tinha instruções para ter uma presença discreta e de forma alguma dar a conhecer o meu dom. Seria apresentada como uma parente próxima de um dos criados. Em situações de crise e de dúvida, a rainha para tomar conhecimento dos presságios e conselhos, mandava os conselheiros mais próximos do rei consultarem-me, uma vez que ela não podia sair facilmente do castelo. Eles apareciam disfarçados para não serem reconhecidos pelos servos do rei. Foram justamente dois desses conselheiros que se revelaram serem traidores. Anos mais tarde, antes de eu completar dezanove anos, planearam a minha morte. Um filho de um nobre muito chegado ao rei (aproximadamente da mesma idade que eu, que gostara imediatamente de mim mal me vira chegar ao castelo) passou a cortejar-me. Namorávamos em segredo pois oficialmente ele fazia a vontade ao pai namorando a filha de um nobre. Dias antes do meu assassinato eu tinha tido um sonho sob a forma de aviso. Indiquei a ele o nome dos dois homens que tinha visto no sonho, embora não soubesse exactamente o que me fosse acontecer. Fui assassinada. Dias depois, os outros dois conselheiros foram acusados de traição e condenados à morte pelo rei por insistência da rainha que deu crédito às palavras do filho do nobre em quem ela sabia eu depositar inteira confiança. Pouco tempo depois o meu amado partiu voluntariamente para uma batalha/guerra onde procurou, e encontrou, a morte. Isto parece um filme. Não sei qual o filme que a vidente tinha visto na noite anterior. E também, nestas coisas da reencarnação, sempre que são citadas cenas da vida passada nunca fomos camponeses, nem leprosos nem mendigos, somos sempre umas pessoas “importantes”. Não sei, não me perguntem nada sobre a credibilidade do que ouvi, no entanto é verdade que uma sensação, inexplicável, de perda de alguém me acompanha desde sempre. Enfim, parece que nunca estou só: é a sensação do compromisso com a música que me acompanha, é esta sensação de perda, e existem ainda outras sensações, vão ver. Mas se esta história é verdadeira então também a ele acompanhará esta sensação de perda. Não perguntei à vidente se nesta vida iria também reencontrar os maldosos assassinos que me silenciaram. Se retornarem sob a forma de críticos destrutivos e maldizentes, espero que tudo aquilo que digam me traga lucro e simpatia das multidões pois pretendo fazer um ajuste de contas com esses fracos que me silenciaram no passado. A vidente disse que o assassinato tinha ocorrido, alguns séculos atrás, em Inglaterra e era por isso que eu sentia uma sensação de desconforto quando lá ia. Não sei como ela tinha a certeza que eu tinha estado em Inglaterra mas de facto num Verão, numas curtas férias, estive lá e não sabia porquê, não conseguia estar alegre e agravou-se quando visitei castelos. Não sei se isso teve relação directa com aquilo que a vidente revelou ou se eu estava simplesmente naquelas alturas do mês. A vidente ficou absorta nos seus pensamentos. Debruçou-se sobre as cartas para ver melhor não sei o quê, ela própria parecia estupefacta, readquiriu a postura normal na cadeira, estava sentada e as cartas lançadas sob uma mesa rectangular num pequeníssimo quarto tipo escritório, e disse-me: “Nunca vi tal coisa em vinte e quatro anos que exerço o dom da vidência: ele será todo seu! da ponta do cabelo até à ponta do dedo maior do pé! ser-lhe-á totalmente fiel! não apenas no aspecto físico mas também de coração, ele ser-lhe-á totalmente leal! terá nele um amigo raro e excepcional mas você também lhe irá retribuir grandemente tudo o que ele lhe der, será uma relação muito harmoniosa pois ambos têm uma grande capacidade de dar. Ele será a porta!” Isto foi em finais de 1998, só em Fevereiro de 2000 iniciei a escrita de canções e, a composição de músicas em Abril de 2002, portanto à frase “Ele será a porta!” não dei importância por poder significar muita coisa, e mesmo hoje que me associei à música não sei se poderá representar o início através de alguma oportunidade dada ou se de facto o desastre com o músico “do email” tenha sido a “porta”. Por palermice, associei esse homem espectacular da vidência a esse tal músico com o qual, dois meses antes de encontrar esta vidente, tinha começado a corresponder pontualmente, por email. De facto, ele e a sua banda tinham alcançado alguma relativa notabilidade que foi imediata após o markting entrar em acção embora ele, porta-voz da banda e bastante comunicativo tivesse o seu mérito, pois o markting não faz tudo. A minha cisma parva fez com que os meus emails, que eram pontuais, se intensificassem. Eu escrevia um pouco sobre tudo. Quando surgiram os blogs lembraram-me os emails que eu enviava a ele: eram pensamentos, eram coisas sérias, eram coisas engraçadas, eram histórias fictícias, histórias verídicas, eram textos reforçadas com imagens ilustradas. A banda estava em digressão constante, aqui e acolá, e no estrangeiro também, apesar de não serem super famosos. Ele achou graça aos meus emails e alguns meses depois, quando a sua agenda lhe deixou algum tempo livre, quis conhecer-me pessoalmente. Quando nos conhecemos elogiou-me a criatividade dos textos escritos, perguntou em que me inspirava, perguntou mais isto e mais aquilo, coisas típicas para fazer conversa entre estranhos. Depois, prefiro pensar que foi para me impressionar senão terei de pensar que é mentiroso, disse-me, a propósito da criatividade dele na preparação de um CD com doze temas musicais, ele precisar compor aproximadamente duzentos temas musicais para depois escolher, de entre eles, apenas os doze melhores. Só vim a fazer composições musicais três anos depois deste encontro, e já na altura achava difícil tal ser verdadeiro: duzentas músicas por CD para escolher apenas doze?! É difícil ter criatividade para fazer duzentas músicas por CD e é difícil não ter amor às músicas e deitar cento e oitenta e oito delas para um canto! É frequente o artista que adquire alguma notabilidade, estar rodeado por hipócritas que lhe deixam dizer mentiras que mais parecem absurdos que inverdades, só para lhe agradar. Apesar dos sinais (actos dele), que mais tarde vieram ao de cima, mostrarem ser mais provável o sol desprender-se do firmamento que ele ter a capacidade de fazer alguém feliz, não me afastei imediatamente dele. A minha má interpretação da vidência ouvida da boca da brasileira em finais de 1998, o meu mau encantamento por ele, e porque é bom ter uma paixão na vida, levaram-me a insistir no erro durante algum tempo. Foi um relacionamento ingrato que me desestabilizava psicologicamente, tendo afectado também a minha saúde. Entrei de tal forma em stress que este envelhecia-me o sangue: comecei a ter dores de ossos e um frio horrível em pleno Verão onde cheguei a dormir com doze cobertores grossos na cama, mal aguentando o peso da roupa. Estando eu cansada das consultas e exames médicos, sem melhorias e com tendência a piorar, decidi consultar uma curandeira. Através da imposição das mãos na minha cabeça fez o diagnóstico. Disse-me que eu estava a destruir–me psicologicamente, que eu própria deitava ferozmente a minha auto-estima abaixo e que eu andava com uma tristeza profunda - “O que se passa consigo? Porque está tão triste?” Porque estava eu triste? Porque estava tudo entristecido, tudo diminuído, tudo vencido? Era o medo do amanhã, era o medo de não saber onde encontrar um outro mundo que a minha fantasia quisesse ecoar maravilhas, era o choque de ver que eu era influenciável por videntes (no entanto é verdade que não senti o tal “choque”, a tal sensação de vidas passadas, que ela profetizara quando me encontrei com o músico do email, portanto não poderia ser ele segundo ela). Acima de tudo era o choque de ver que as minhas palermices eram ácido corrosivo de portões onde a lógica se resguardava. Ela tinha fugido, os portões deixaram-na partir! Tão esburacados estavam os portões! Qualquer coisa pode entrar! E entrou a palermice! A relação tinha terminado. Durou ano e meio. Por opção minha, foi sempre uma relação platónica pois desejava conhecê-lo melhor. Ele não tinha o vício do cigarro, do álcool, nem das drogas mas tinha o vício das mulheres. De início achou graça à minha atitude de donzela, era-lhe inspirador artisticamente falando, mas depois começou a enervar-se. As mulheres serviam para inspiração e/ou para a cama. Muitas vezes só para a cama. Após ver a minha atitude de donzela, queria ver como seria expressar-se fisicamente comigo. Talvez lhe desse outra inspiração criativa, sei lá. À distância física entre ambos, dada pelas digressões dele, eu adicionava uma relação platónica. Ele não vislumbrava, nestes termos, futuro na relação. As coisas não estavam fáceis para mim. Mas qual seria o meu futuro? Cama, depois ele adeus devido a compromissos inadiáveis de agenda? E claro, muitas fãs a quem ele acharia irresistível não ver o sol nascer no meio das pernas. Ele era ingrato e, fizesse o que eu fizesse, a relação terminaria em nada. A existência ou não de intimidade física apenas iria adiar o rompimento, não seria a solução. O amor dá muito trabalho e exige esforços. Ele era adepto das emoções sem compromisso sério. Para ele nada durava para sempre. “Queres-me? Quanto estás disposto a pagar-me?” Ele não respondeu. Era frequente eu atiçar e nada fazer. Achava-me provocadora e os meus extremos astúcia/ingenuidade fenomenais, a minha inteligência/palermice incríveis, a independência/dependência fantásticos, o forte/fraca imensuráveis, o meu eu doce/agressivo encantadores. Eu admirava a inteligência dele, a criatividade, o inconformismo e a rebeldia que ainda poderia ser maior que mais o teria admirado. Na altura em que consultei a curandeira, tinha seguido o conselho da vidente e tinha escrito já bastantes canções e mesmo apesar da ruptura, como não ficámos inimigos, apresentei-lhe por email algumas letras. A verdade da razão da existência das letras teve mais a ver com o facto de eu me querer aproximar dele. O facto de eu não ser do mundo da música sempre dificultou as coisas, uma vez que ele andava em digressão e eu pelos cantos. Mesmo após a ruptura, o mundo da música continuava a exercer um enorme encantamento em mim. Eu tinha-lhe enviado as letras por email. Eu não tinha nenhum objectivo em mente. Não sabia se as letras poderiam ser para alguma cantora que ele conhecesse, podendo ele fazer a composição musical. Ou, como haviam letras “masculinas”, poderiam ser perfeitamente para ele caso ele as quisesse uma vez que consigo escrever como um “homem” quando quero. Não sabia qual o destino a dar àquela quantidade de canções escritas (letras). Ele tinha experiência nestas coisas da música, ele teria de determinar o destino das mesmas. Quando o vi - ele e a banda - dar uma entrevista pela primeira vez, tive a sensação bizarra de que ele teria importância significativa na minha vida. E de facto teve: no fim de tudo a desorientação foi tal que a latência criativa cessou e apareceu a artista. O obstáculo não era apenas o vício das mulheres mas também o vício da manipulação e da mentira. Embora toda a gente tenha esses defeitos de vez em quando, no caso dele era compulsivo - ele dava uma boa personagem num livro. Nunca percebi se ele fora sempre assim ou se aprendera com os manipuladores que o rodeavam pois quem entra para um negócio, incluindo o “negócio da música”, não vai encontrar-se com pessoas ingénuas. Toda a gente é, pelo menos, um pouco “defeituosa” porque não também ele? A minha fascinação teve tendência para potenciar a ditadura da perfeição. O amor “gosta” dos defeitos do amado, é muito mais compreensivo que a fascinação. Eu nunca iria compactuar com aqueles defeitos dele, aceito mais facilmente a dependência das drogas e álcool. Apesar de tudo, tentei aproximar-me o mais possível do mundo dele ingressando na música. Quem o via a dar entrevistas não adivinhava defeitos nele. Também fazia parte das “vedetas” cheias de “qualidades” que até participava em concertos de “Live Aid”. Eu, todos os meses faço o meu donativo que reverte a 100% para uma instituição/associação de solidariedade, pois nos “Live Aid” penso que a única coisa que é de graça é a actuação do artista que não cobra cachet. Coisas como hotéis (alojamento), aviões (deslocações), equipas técnicas (luz, som, palco, limpezas etc) não creio que sejam de graça. A expressão “sem fins lucrativos” poderá significar, a não ser que hajam patrocinadores, que após todas as despesas pagas, a restante percentagem do bilhete do concerto reverte a favor da causa solidária. Também quero acrescentar que me incomoda a ideia de deixar o artista pensar que ele é “bonzinho” porque participa gratuitamente num concerto de angariação de fundos e que o público é “mauzão” porque só dá o seu pequeno donativo se receber diversão em troca. Lá longe existem pessoas à espera de não morrer, à espera do donativo do concerto e eles por cá aos pulos e alegria com a música! Olha o ácido da palermice a corroer os portões da lógica! (Peço desculpa sei que a intenção é boa!) Nada foi verdadeiramente resolvido: lá longe as pessoas continuam com a guerra/fome e por cá, eu, consegui lixar a minha vida. Eu era apenas casa-trabalho e vice-versa. As minhas relações sociais mereciam elogios fúnebres. Não havia mundo de fantasia: a realidade fazia os meus dias serem tristes. Nada valia a pena. À minha volta toda a gente estava a casar, a ter filhos, a querer conservar os empregos que tinha. Toda a gente a optar pela estabilidade e eu, tinha acabado de apanhar um barco que balançava que se fartava. Eu tinha gostado de escrever canções mas não sabia se eu teria futuro na música, pois toda a gente começa muito cedo nestas coisas. Também não queria esquecer a música e voltar à vida que conhecia onde eu estava desligada, criativamente, da música. Sentia-me só. Ele não me tinha devolvido resposta, opinião ou desejo de boa sorte, relativamente às letras para canção que eu lhe tinha enviado. Eu estava só. Ele estava concentrado no sucesso dele e da banda. Se eu decidisse avançar para a música teria de fazê-lo sozinha. A curandeira estava a perguntar-me: “O que se passa consigo? Porque está tão triste?” - encolhi os ombros, como quem diz que não sabe explicar o que se está a passar. “Sinto-me exausta: física e psicologicamente”, foi assim que lhe resumi a minha situação. Ela disse que eu estava com uma grande falta de vitaminas no corpo e, acima de tudo, com um grande défice de ferro. Fui à farmácia e pedi um suplemento forte de ferro que tomei diariamente, durante sessenta dias. De facto o frio, já no dia a seguir à toma, começou a diminuir e cessou quase em seguida e pude andar normalmente, como toda a gente com roupas leves de Verão, pois era Agosto. Também corrigi os meus hábitos alimentares: mais legumes, mais fruta etc. Acerca de mim, posso acrescentar que nasci a vinte e seis de Setembro, a sessenta quilómetros, aproximadamente, da cidade do Porto, Portugal. Sou de nacionalidade portuguesa e fui criada no campo (excepto dos quatro aos dez anos em que vivi na Alemanha onde os meus pais foram emigrantes). No campo, tive contacto com a natureza e com os animais tendo cuidado de alguns deles enquanto doentes. Apesar de gostar da cidade, os prédios, carros e alcatrão não me dão muita felicidade, preciso do campo, afeiçoei-me à natureza e aos animais. Acrescento ainda que os curandeiros são uma coisa normal para mim, pois a minha falecida avó materna (cabelo negro, pele branca como a neve e olhos azuis escuros) era um deles. O “Invisível” manifesta-se em situações de auxílio, faz voz imperativa aos obstáculos: “Sai! Deixa passar!”. O “Invisível” torna-se archotes acesos que iluminam o caminho numa marcha nocturna. A iniciação na composição musical foi obra de um vidente inglês que me teceu um colchão cor-de-rosa onde eu podia cair segura e tranquila. Armada em pára-quedista saltei para a composição musical. Porque é que precisei de videntes para as minhas decisões? Porque não tomei eu própria a iniciativa antes? Pela mesma razão que aqueles que estudam música a sério durante anos, fazendo até licenciatura, nem sempre terem capacidade para a escrita de canções e composição musical, ficando-se pela execução instrumental. Qual a explicação? (note-se que eu tenho muito respeito por todos aqueles que se dedicam inteiramente à música, nada de confusões! As coisas nem sempre são más, boas, melhores ou piores, apenas considero que cada um tem as suas aptidões que despertam a horas, e de formas, às vezes bizarras). Se alguém me perguntar como vivi a minha vida, direi que vivi como uma pára-quedista: dou por mim nas nuvens, num avião. Olho para os outros, e vejo que permanecem confortáveis e confortados nos seus lugares. Olho para baixo e lá algures escondido, pouco perceptível, está algo que me agrada. Os olhos da realidade pouco vêem, está tudo pouco perceptível mas vou buscar os olhos da fantasia e agora vejo! É fantástico! Acima de mim o avião prossegue com os outros a bordo. Vejo um balão enorme formado pelo pára-quedas aberto. Atirei-me do avião! Vejo o sol, os pássaros, não tenho obstáculos, é tudo tão lindo! Até parece que sei voar! Ai-ai-ai, bati com o corpo no chão! Onde estou?! Vou ter que me desenrascar, se não quiser ficar aqui no meio do nada! Estou frita! Onde diabo vim parar?! Não conheço ninguém, estou perdida! Alguém me pode ajudar? Onde está a ajuda? Ah! Está ali! O que é que ela está a dizer-me? “Tu tens de aprender. Nada melhor que fazê-lo sozinha. Conheces aquele provérbio: a necessidade aguça o engenho? Não faças esse ar de preocupada. Já muitas vezes te disse para pensares primeiro e agires depois, mas tu não mudas. Depois lamentas-te e dizes que só fazes disparates. Acalma-te, és uma felizarda pois o Céu acha graça à tua ingenuidade. Terás a sua protecção e orientação. Darás a volta por cima dos obstáculos de forma rápida. Não te preocupes, ser-te-á dada uma força especial e nada te será negado.” Hei, espera aí! Ó ajuda! Já te vais embora? Olha, tinha asas! Afinal era um anjo! Tinha uma consulta marcada no médico, na cidade do Porto, em Julho de 2001, sentia-me mal (foi antes de consultar a tal curandeira) mas por lapso, ao fazer a marcação da consulta não me foi pedido o meu contacto telefónico para desmarcar, caso fosse necessário. Quando compareci na clínica foi-me informado que o médico teve um imprevisto e todas as consultas desse dia tinham sido desmarcadas. Estava cansada da viagem até ao Porto e para não pegar novamente no carro, e repetir um trajecto acabado de fazer, fui até um pequeno centro comercial situado ali perto da clínica. Entrei no centro comercial. Percorri um corredor. Ia subir uns degraus que davam acesso ao andar de cima, que me parecia mais atractivo, mas ao fazê-lo tive de recuar por ter a sensação persistente de que deveria continuar em frente, no mesmo corredor. Ao fundo pude vislumbrar pequenos cubículos, tipo tendas que demarcavam um espaço privado. Reconheci-os como sendo pertencentes a uma provável feira de esoterismo pois, no ano de 2000 existiram alguns desses cubículos em alguns centro comerciais. No entanto todos os cubículos, talvez seis, estavam encerrados. Era hora de almoço. Vi apenas uma vidente que ainda estaria disponível para fazer a “consulta” mas não me inspirou credibilidade. Eu ia voltar costas a esses cubículos, prestes a abandonar a ideia de consultar videntes, quando subitamente me surpreendi a perguntar a uma funcionária duma loja de roupa, em frente, se sabia a que horas voltavam os videntes. Disse-me que um deles andava por aí e apontou-me o cubículo dele. Eu pensava: “Anda por aí?! Deve ter ido a alguma loja comprar alguma coisa. Espero ou não? É quase uma hora da tarde, vou embora... Não, não vou! Mas isto está tudo tão vazio! Os videntes lembraram-se de ir comer todos à mesma hora?!” “Olhe! É aquele ali!” A funcionária da loja, quando eu estava prestes a desistir e a afastar-me dos cubículos, elevou a voz e apontou para um homem, na casa dos cinquenta anos, calças verdes, sapatos vermelhos, com ar energético, cabelo louro e olhos verdes. Parecia ser estrangeiro. Tive um bom pressentimento e aproximei-me apressada do seu cubículo pois via-o a preparar-se para encerrar o seu cubículo e ir-se embora. Perguntou-me se não poderia ser à tarde, pois estava ali desde as nove horas da manhã e além de precisar de almoçar, precisava de tratar de uns assuntos pessoais. Disse-lhe que tinha de deixar o Porto porque ia trabalhar. Perguntou-me se não poderia ser num dos três dias seguintes, depois dos quais partiria para o Algarve, onde residia apesar de ser inglês (ainda conservava um sotaque forte). Disse-lhe que sim. Conversou um pouco comigo e perguntou-me o que eu desejava saber sobre o futuro. Disse-lhe que eu não sabia se teria futuro na música. Ele informou-me que fazia previsões através do mapa astral da pessoa precisando para tal do nome completo, local e hora de nascimento. A hora pediu-me que fosse o mais rigorosa possível. Disse-lhe que tinha sido às dez horas da manhã. Ele queria saber a hora exacta, incluindo os minutos. Eu tinha nascido em casa e a minha mãe sempre insistiu comigo que eu tinha nascido às dez horas exactas. Compareci dois dias depois. Quando lhe fiz perguntas sobre o meu futuro na música, ele sorriu e acrescentou que também era músico.Tinha um pequeno estúdio digital no Algarve onde ele componha músicas com sons orientais e rock à mistura. Disse-lhe que tinha escrito muitas letras para canção, todas em português, e não sabia o que fazer com elas. O vidente inglês disse que eu tinha capacidades que eu desconhecia. Afirmou categoricamente que eu era dotada para a composição musical. Aliás, segundo ele, eu era criativa e poderia estar também noutra área que não a música. Eu contrariei-o dizendo-lhe que não tocava instrumento algum e ele retorquiu: “Você tem a capacidade! Use a voz!” E acrescentou que no Verão de 2003 eu iria encontrar um homem que iria ser muito importante para mim. Pensei que seria o músico do fiasco. Que apesar de tudo ele me iria dar a mão. Mas o vidente adivinhando qualquer coisa na minha expressão disse-me: “Você não o conhece. É um estranho que vai aparecer na sua vida e vai ser muito importante para si!” Depois pensei que seria finalmente a minha alma gémea! E depois pensei que às tantas estava a iludir-me uma vez mais e as minhas palermices nunca iriam terminar. Porque não era realista como toda a gente?! Ou será que há muita gente como eu? Em 31 Julho de 2003, em pleno Verão, foi-me apresentado o Marcus Levy, de nacionalidade brasileira, casado com uma portuguesa, a residir há vários anos em Portugal. Foi este o homem importante que veio concretizar os meus projectos musicais. Tinha chegado à minha casa a nova lista telefónica da rede fixa. Eu pensava que só em Lisboa haveria editoras discográficas mas lembrei-me de procurar, embora incrédula, nas páginas amarelas da lista telefónica acabada de chegar. Pasmei quando vi que ali perto, numa pequena cidade, havia uma pequena editora discográfica, pouco conhecida, de música popular. Não tomei nota do contacto telefónico por não me identificar com a editora para a minha música (embora aprecie música popular). Nos dias seguintes a sensação persistente (outra vez os pressentimentos) de que eu deveria entrar em contacto com essa editora andava a torturar-me. Mas eu insistia mentalmente que não me identificava com a editora. A ideia fixa de que deveria entrar em contacto com a editora estava a massacrar-me pela insistência e então desloquei-me à editora. O dono da mesma, um senhor reformado, recebeu uma cassete com os treze temas do projecto “Incenso” (o meu primeiro projecto) apenas com a voz. Este projecto originou a sua maquette em 2004 e veio, mais tarde, a originar a versão espanhola “Incienso” e depois as letras traduzidas para inglês “Incense” (este último não cantado). No dia seguinte o dono da editora telefonou-me para dizer, que após ouvir a cassete, só conhecia um músico capaz de dar forma ao projecto, era um músico muito versátil e tinha já feito muitos covers difíceis para aquela editora (percebi que também faziam edição de covers, principalmente de temas de telenovelas). O vidente inglês também disse que eu em 2005 iria, inesperadamente, engravidar ou algo igualmente importante ia ser gerado. Ele disse que pensava que talvez fosse um filho e que ia ser muito diferente do habitual. Fiquei alarmada: um filho muito fora do habitual?! “Não se assuste, não terá dois pénis!” O vidente estava bem disposto, eu é que estava com cara de enterro. Os problemas, que tinham a ver com a falta de solução para a minha vida, e as malditas reacções psicossomáticas davam cabo de mim. Mais tarde vi que o ano 2005 tinha terminado, a música era a minha única companhia, não conheci homem, não tinha engravidado e considerei a previsão um erro grosseiro. Depois lembrei-me que ele disse que era algo que ia nascer inesperadamente e que ia ser muito importante para mim. Em Janeiro de 2005 tinha contactado o Marcus Levy para retomar a maquette “Incenso” e disse-lhe que estava a pensar em gravar uma versão em castelhano “Incienso”. Ele não reagiu bem por estar já sobrecarregado de trabalho no estúdio e sem tempo para aceitar mais trabalhos, então disse-lhe que eram só alguns temas. Nas vésperas de entrar em estúdio, uma forte gripe de dez dias acamou-me. No quinto dia de gripe, deitada na cama, olhava para o tecto. Tinha passado os últimos dias com febre, a comer mal e quase sempre a dormir. O quarto estava na penumbra, a luz do dia feria-me os olhos e subitamente, do nada, veio à memória a pergunta que muito ouvi: “As músicas são cantadas em inglês?”. Em finais de 2004, andei à procura de elementos para formar uma banda, pois tinha terminado a maquette “Incenso” onde o primeiro tema “Aha, sim Gato?” perguntava: “Gatão... Pinto os olhos tons azuis? Posso também pintar os pêlos púbicos?”. Toda a gente apresentava-se com banda na televisão ou em espectáculos. Queria ser igual a toda a gente, também queria uma banda. Pus anúncio numa revista de música. Todos que me contactaram perguntavam-me se as músicas eram cantadas em inglês. Quando dizia que não, a maioria desinteressava-se. Eu que não era do meio musical achava aquilo absurdo pois se se é português canta-se para os portugueses em português! Mas depois apercebi-me que algumas músicas cantadas em inglês, difundidas pelas rádios, eram de bandas portuguesas e que as major labels tinham preferência por bandas que interpretavam os seus temas em inglês. (Aliás no Algarve existem rádios que só divulgam música cantada em inglês - Algarve fica em Portugal!). Vi também que as rádios (enviei a maquette) teriam preferido que eu em vez de “posso pintar os pêlos púbicos?” perguntasse “posso pintar os pêlos pudicos?... cúbicos?...”. Não sei. Ou talvez fosse melhor rapá-los e não falar neles - os fenómenos da vida biológica não existem e os pêlos também não! (nas canções). Aliás, as rádios portuguesas, públicas e locais (com excepção de algumas raridades), são dadas a pudores bem abotoados até ao pescoço. Isto quando cantado em português. Há uns anos atrás a letra da música (20 Fingers) “Short Dick Man” dizia “Don’t want no short dick man” e foi muito divulgada pela rádio. As rádios portuguesas sabem traduzir “Don’t want no short dick man” para português? Para matar o tédio da gripe, decidi retomar a escrita de canções mas desta vez seria um projecto em Inglês. Com as poucas palavras que ainda me lembrava do ensino secundário, com as palavras que tinha aprendido com as letras das músicas em língua inglesa passadas na rádio e com os muitos filmes também nessa língua que não eram dobrados mas apenas legendados em português, decidi avançar na mesma hora em que me veio à memória a pergunta: “As músicas são cantadas em inglês?” Em 2005, nascia, inesperadamente, o projecto “Extreme”! Eis-me agora em Agosto de 2007. Apresento cinco temas do projecto “Extreme” para download, livre, a partir do “myspace” e do meu site. O projecto “Extreme” tem treze temas e além daqueles cinco temas tem outros temas fortes. “Extreme” estará totalmente concluído até ao final do ano no entanto, no meu site já disponibilizei todas as letras do “Extreme” e do “Incenso”, “Incienso” e “Incense”. No “myspace” se observarem a editora discográfica que me representa é “I Take Care of Myself” (eu tomo conta de mim mesma) com label indie. As opções de escolha para a label eram: “major”, “indie” e “none”. Optei por “indie” de independente. No meu caso, de modos ditatoriais de fazer música. Não dependo da ditadura do género musical único para todos os temas do projecto muito frequente nestas “coisas da música”: ou só electrónica, ou só rock ou só isto ou só aquilo- os temas dum projecto assim parecem irmãos gémeos todos vestidos com a mesma roupa, o mesmo penteado e a mesma cara. Pretendo ser também independente de outras ditaduras desconhecidas. A minha label tem um nome: “Eu cuido de mim própria!”. Sou uma pessoa que aceito o fardo das muitas responsabilidades para se possível a concretização do projecto musical. Quando andei à procura de banda, em finais de 2004, e apresentava a maquette de “Incenso”, ninguém tinha opinião formada, ninguém quis tecer uma crítica. Diziam que tudo é muito relativo, que o gosto musical não se discute e que este fica a cargo do criador. Pena é que depois do projecto ser público toda a gente tenha uma opinião a dar e ninguém se importe de ferir sensibilidades. Conluindo: estou sempre entregue a mim própria, quer eu queira, quer não. Nos maus momentos sou eu o instrumento cirúrgico que remove o mal da minha vida. Nos bons momentos sou eu que dou uma cor alegre à minha vida - dou ânimo e felicidade à minha alegria, dou autenticidade à minha alegria. Não tenho ninguém com quem partilhar os momentos verdadeiramente felizes. A minha vida tornou-se tão diferente daqueles que eu conheço que as minhas preocupações, e alegrias, pouco têm em comum com as deles. As alegrias/preocupações daqueles que me rodeiam centram-se nos seus empregos e filhos. As minhas alegrias/preocupações centram-se na música, na música e outra vez na música. Apenas os meus familiares mais próximos sabem que me “relacionei” com a música. Mais ninguém sabe. Uma vez tentei abordar o mundo da música com outros - os obstáculos, as ansiedades etc, mas é um mundo tão desconhecido para eles que se torna frustante para mim. São capazes, provavelmente, de dizer se gostam ou não de uma música. Mas pouco mais que isso. Não me sabem como me encorajar, orientar-me ou alertar-me para alguma realidade desconhecida. Para eles a música é simples: preto ou branco - gosto ou não gosto da música! Só sabem dizer isso mas parece que esse pouco que dizem é de grande valor para o artista. Ás vezes tenho vontade de fugir. Mas não os posso censurar: antigamente eu sabia tanto quanto eles. Eles desconhecem a alegria de se conseguir que uma música, em estúdio, fique tal e qual a se tinha sonhado, isto após semanas de trabalho! Também desconhecem o desespero quando parece que tudo conspira contra a nossa sorte: é no estúdio, nada corre bem, as ideias musicais estão encravadas; é a incerteza do futuro comercial dos temas no mundo da música pois o dinheiro escorrega por entre os dedos como água líquida – é tudo tão caro. O Marcus Levy, por questões intrínsecas à sua própria personalidade, é comedido nas palavras: não se atreve a desanimar-me e não se atreve a remover-me pessimismo nas minhas horas negras. Ele é pragmático. Considera que todas as hipóteses, boas ou más, são possíveis de se concretizarem e que é preciso ter a capacidade de adaptação às circunstâncias do momento. Mas eu quando quero alguma coisa, oriento toda a minha vida em função do que quero. Só vejo aquilo à minha frente. Alternativas para o caso de eu fracassar não as coloco. Eu aposto absolutamente tudo nos meus objectivos. Daí, quando eu consigo alcançar os meus objectivos é um alívio e uma alegria eufórica. Até hoje consegui sempre o que eu quis. Embora a luta para conseguir o que eu quero sempre me deu muito trabalho e ansiedades. Quem acha o mundo da música fascinante, quem sente admiração pelos seus ídolos ao ponto de os idolatrar, deveria deixar-se disso e ver como as “coisas musicais” funcionam. Deveria fazer o que eu fiz: meter-se num estúdio, gravar as suas próprias canções (letra e melodia). Para tal deverá ser corajoso (ou louco), não deverá queixar-se que não sabe isto e aquilo. Não deverá lamentar-se que lhe é tudo desconhecido. Não deverá assustar-se por não saber como as canções vão chegar às pessoas por entre tantos artistas/bandas. Deverá preparar-se para gastar todo o dinheiro que tem e o que não tem. Quando eu terminar os meus projectos terei de passar cheques pré-datados mensais por um período de dez anos pois não tenho dinheiro para pagar agora (poderia comprar um bom apartamento T2 com garagem) e, se eu incluir os pagamentos mensais que já começaram em Janeiro de 2005, altura em que entrei em estúdio e ainda lá estarei até finais de 2007, perfará treze anos. Porque este mundo, e também o mundo da música, dá cabo do coração, quem se mete nestas coisas, não deverá ter, também, problemas cardíacos. Não é o meu caso, tenho um prolapso mitral. Soube do meu problema há uns sete anos atrás: tinha-me deitado e tinha adormecido. A altas horas da madrugada despertei mas não consegui mexer parte alguma do meu corpo, não senti que respirasse, nem senti o coração a bater. Tinha apenas a mente acordada. Percebi imediatamente que algo de muito errado se passava. Não existem mortes santas durante o sono - algo surpreendentemente assustador, estranho e errado sente-se estar a ocorrer, o corpo está diferente. Mentalmente disse: “É assim que eu termino?!”- disse-o num tom irónico, como que queixando-me a Deus, pois sentia a proximidade da morte e referia-me à miséria da minha vida, sem ter tido a oportunidade de ser feliz. Eu discordava da minha morte porque discordava da minha vida: tinha sido uma lástima! Eu não podia terminar assim! Não vi túnel de luz, não saí do corpo. Não vi nada. Apenas a voz da minha mente. Muita gente fala num estado de paz indescritível. É verdade, é muito superior à alegria que habitualmente sentimos. Talvez por algo no nosso sistema nervoso se desligar pois não consegui sentir o corpo, nem respiração, nada. Depois uma voz me sussurrou: “Tens um problema no coração” - era uma voz que usava o meu timbre mas muito doce e, que eu sabia não ser minha. Imediatamente após a voz ter falado, senti o sangue a circular de forma irregular no coração, como que aos solavancos e, como se alguém me tivesse metido um braço por debaixo das costas e me erguesse a toda a força, levantei-me ficando sentada na cama. O meu corpo respirou, automaticamente, de uma só vez tanto ar que já não cabia mais. Sentia tanta falta de ar como se me tivessem mergulhado debaixo de água por alguns minutos e eu tivesse ficado sem oxigénio. Quando acordei de manhã, não sabia se tinha sido um sonho mau mas lembrava-me perfeitamente daquele acordar repentino, da inspiração de ar como se eu há muito não respirasse e daquele circular irregular de sangue no coração. Fui consultar um médico e pedi exames cardíacos. O médico perguntou-me em que me baseava para tal pedido. Disse-lhe que tive um sonho em que me foi dito que eu tinha um problema no coração e descrevi os sintomas do episódio. O médico olhou-me de cima a abaixo (ouvir uma voz?!) e ponderava o meu pedido mas como insisti, ele fez a requisição dos exames que vieram a apontar para um prolapso mitral. Já nasci com ele. Muita gente tem-no e nunca se apercebeu da sua existência. É verdadeira a frase: “A onde está o teu tesouro, aí estará o teu coração!” Quando tive aquele susto de morte, no ano 2000, tinha começado a escrever as letras para canção. Tinha descoberto para mim um novo mundo. “É assim que eu termino?!” ou seja, nunca iria eu ver onde poderia ter chegado na música? nunca poderia eu ver se no amor algum dia fui feliz? Deus adiou o dia do meu fim. Foi-me dada a oportunidade de ver onde irei chegar na música e se um dia serei feliz. Deus, por alguma razão que desconheço agora, quis que eu valorizasse a vida. Às vezes o desânimo, e eu não conheço todas as amarguras do amanhã, levam-nos a ideias e/ou actos fatalistas como se o bem não existisse. O cardiologista disse que o que eu tinha no coração não era grave. Quando lhe perguntei se eu podia, com este meu problema cardíaco, sofrer muito e correr muito, começou a rir: “Que diabo de pergunta! Se pode sofrer muito?! Sim, pode sofrer muito! Mas não convém abusar, aliás isso aplica-se a toda a gente! Vou prescrever-lhe um calmante que deverá tomar em situações mais perturbadoras ou, em que anteveja circunstâncias ansiosas (nunca tomei). Porque é que pergunta se pode correr muito?!” “Sei lá! Posso precisar de correr de algum perigo!” “Qual perigo?” “Não sei!” “Pode correr, pode ter filhos e pode sofrer o quanto quiser, mas com moderação! É sempre preferível ter sentimentos alegres, OK? E convém fazer anualmente exames ao coração, pelo menos um electrocardiograma (nunca voltei a repetir os exames mas este ano vou fazê-los, talvez... ) e faça desporto!”. É de facto uma extravagância a quantidade de coisas “anormais” (sincronismos) que me ocorreram, principalmente desde que enveredei pela música! Talvez por precisar de ajuda mais que o habitual. Toda a gente, se observar bem a sua vida, verá que também tem imensos sincronismos. Dá-mos o nome de sorte, de coincidência. Por exemplo, em descobertas científicas sucede imensas vezes ao tentarem descobrir uma coisa, mas por algo inesperado ou inadvertido ter ocorrido, descobriram outra coisa, igualmente, ou mais importante ainda! -basta ver os relatos das descobertas científicas. Os sincronismos são tão frequentes que nem os valorizamos devidamente. Deixei de fora imensos sincronismos meus, mas vou ainda referir a Cristina. A Cristina é uma luso americana nova-iorquina. Foi ela que ouviu os temas do projecto “Extreme” (na versão maquette) e me deu a opinião sobre a minha dicção norte-americana (tinha-me orientado pelo yahoo.education). Ela também é responsável pela tradução do texto “About me” de português para inglês. Eu sei o suficiente para fazer reparos à tradução, quando não a acho fiel ao texto (ideia) original pois a língua materna da Cristina é o inglês e por vezes o português não é totalmente bem entendido por ela mas não sei o suficiente para fazer traduções na íntegra. No entanto ao fazer as letras do projecto “Extreme”, pensei sempre em inglês e não em português para posterior tradução. A Cristina surgiu de forma “anormal”. Eu tinha apontado vários contactos telefónicos de várias escolas de línguas. Fiz os contactos telefónicos. A maioria garantia ter professores de inglês de nacionalidade de origem. Como os preços eram idênticos, tinha feito a opção por uma. Com esta escola, combinei telefonar-lhes, ainda nesse dia, para me ser dada a informação, da hora e dia, em que a professora inglesa estaria disponível para receber o meu projecto (as letras do “Extreme”) pois a escola de momento não me sabia indicar a disponibilidade da professora em causa. Quando depois ia a telefonar a esta escola, por engano, chamei o número de uma outra escola que estava memorizado no meu telemóvel. O número memorizado correspondia a uma escola com a qual tinha tentado entrar em contacto, no dia anterior, para obter informações sobre os preçários nas traduções mas ninguém tinha atendido (tinha sido de manhã e a escola só abria à tarde). Não sei como fui chamar no meu telemóvel este telefone que na altura armazenei na lista telefónica pois como já tinha escolhido a escola, nunca mais pensei nele e nem na respectiva escola! Ao perguntar pela professora inglesa, disseram-me que era engano pois não tinham nenhuma professora inglesa mas sim uma luso-americana (justamente o que eu queria! pois nas várias escolas de línguas avisaram-me que um professor inglês poderia corrigir as letras mas não a dicção norte-americana). A escola de línguas da Cristina, meio ano após o meu contacto, encerrou porque o proprietário enveredou por outros projectos. Actualmente a Cristina reside novamente em NY onde tirou, há uns anos atrás, bacharelato em Teatro, a sua grande paixão, e licenciatura em Inglês (ensino). Se não fosse aquele meu engano duvido que a tivesse encontrado. Também deixei de fora coisas mais “normais” tais como uma vizinha minha que vivia a três quilómetros de mim, licenciada em Inglês (na área do ensino) a quem lhe perguntei se poderia dar uma vista de olhos a umas letras escritas em inglês, para eventuais correcções gramaticais. Mas quando eu comparecia na casa dela para lhe entregar pessoalmente as letras do “Extreme” mandava-me sempre o recado, pelos filhos ou marido, de que não estava e passou a evitar-me (antes de tocar à campainha cheguei uma vez a ouvir a voz dela a berrar com os filhos traquinas por causa de algo, por isso ela não se encontrava ausente!). De início fiquei ofendida mas depois percebi que era insegurança dela, que eu a estava a fazê-la sofrer. Então um dia passei por lá, e ao ouvir o mesmo recado disse que só queria deixar, para lhe ser entregue, uma caixa de bombons e, era só para dizer que já tinha arranjado quem fizesse as correcções (não tinha arranjado nada, mas iria consegui-lo, falei no futuro!). Depois disso, ainda não tinha eu encontrado a Cristina, através duma amiga que era prima de não sei quem que conhecia uma portuguesa noiva de um inglês, obtive um contacto telefónico (só tinham o da noiva) e a indicação de que ele seria perfeito para as correcções gramaticais. Disseram-me que ele dominava bem o português, além de ser inglês e professor de inglês. No entanto nunca me foi permitido falar com ele: foi à noiva que entreguei as letras para correcção que por sua vez as entregou a ele. No dia combinado para devolver o meu “Extreme” com eventuais rectificações gramaticais, só compareceu ela, apesar de eu ter dito a ela, ao telefone, ser importante a presença dele. Ela compareceu no local combinado: um café. Eu olhando para a porta à espera que ele irrompesse via que ele tardava. Ela já se tinha sentado e feito o seu pedido ao empregado de mesa. Perguntei a ela: “Ele não vem?” “Não!” “E se eu quiser trocar impressões com ele acerca do projecto, como faço?” “Simplesmente não troca!” Disse isto sorrindo, com uma lata fenomenal. Eu estava perante uma manipuladora implacável e uma ciumenta patológica. Fiquei ainda mais escandalizada quando toda a gente, a quem contei este incidente ridículo, achou a atitude dela de “guardar” o noivo natural! (então pensei: “o que é isto?! mentalidade latina?! serei eu estrangeira?!”) Mais tarde vi-o, ao longe, ao lado dela. Fisicamente, não era nada atractivo. É típico do Ego doentio pensar que os outros cobiçam aquilo que é nosso. Muitas vezes aquilo que com tanto zelo guardamos, só nós queremos, mais ninguém! Ela é que transmitiu a ele o que achava que eu queria dizer nas letras - eu nunca pude dizer nada. Ela dizia-me aqui e acolá, apontando nas letras, que ele achava ser melhor fazer assim e assado. Ela tinha-lhe dito que eu queria significar isto e aquilo! Como é que ela sabia exactamente o que eu queria dizer aqui e acolá?! “Eu estou-lhe a transmitir as poucas observações dele, pois estava tudo bem, mas se tiver alguma dúvida, não hesite em perguntar-me! Eu sou licenciada em Inglês! Embora não esteja a dar aulas ou a exercer em outra actividade.” “Licenciada em inglês? Estou a ver. Ele sabe que tu o manipulas? Duvido. Ele é do tipo inseguro e cegueta, não é? Tu és a mamã dele, não és? Dois idiotas.” “Ouça, por exemplo no refrão da letra “Hypermystic”, há uma frase que diz “I´m powerfull on you” (se virem em Lyrics no meu site esta frase já não existe, alterei o refrão), assim está errado, deveria estar escrito “I have power over you”, eu tenho poder sobre ti!” “Mas assim parece que eu mando nele, quando esse poder é mais a nível sentimental, algo mais poético mais esotérico, tipo encantamento” “Ouça, na prática como é que funcionam as coisas? Se tu (o namorado) gostas de mim então fazes tudo o que eu te peço! Ou seja, eu mando em ti. Eu tenho poder sobre ti! Eu mando em ti, obviamente!” “És linda! Mas ele gosta de ti assim, não é? Que bom para ti! Olha, eu vou passar a ser como tu! Pois tu vives melhor que eu!” No fim paguei, a ela, o trabalho dele, e disse-lhe que não tinha gostado que ela tivesse gozado com a minha cara e só ter comparecido ela. Ficou espantada com a minha mudança brusca de tom mas rapidamente tomou o auto-controle e disse: “As pessoas são todas umas ingratas! Nunca mais digo a ele para fazer traduções! Seja lá para quem for!” E saiu porta fora! “Isso mesmo! Vai mandar nele!” Que tal eu agora usar aquela frase muito famosa utilizada pelos muito famosos: “Eu sou uma pessoa perfeitamente normal! O meu dia-a-dia é igual ao de muita gente, excepto que tenho um trabalho que me dá alguma visibilidade!” ? Depois de tudo o que relatei até agora, digam lá se eu não sou uma pessoa normal com um dia-a-dia igual ao de muita gente?! Agora só me falta a visibilidade! Que giro! A verdade é que considero que um artista deva ser tratado como um simples ser humano, repito: não há razões para se ter adoração pelas superstars. Entra-se em estúdio e tornamo-nos naquilo que admiramos. E também não vale a pena fazer sofrer o artista se os seus defeitos humanos nos desapontam. Não sou adepta das palhaçadas que vejo: o markting gasta fortunas a elaborar uma imagem “perfeita” do artista e a imprensa cor-de-rosa ganha fortunas a elaborar/apontar uma imagem “defeituosa” do artista. Os artistas são simples mortais. Respeito sim, veneração, não. Adoração merece-a Deus. Também é conveniente que as pessoas/público percam aquela atitude que copiaram dos paizinhos: “Porta-te bem. Senão levas tau-tau!” A música está acima do seu criador, a música vale mais que o seu criador, a música é perfeita. A música vem de uma dimensão não humana. Esta última ideia de que a música vem de outra dimensão foi-me expressa pelo tal vidente inglês em Julho de 2001 quando tive a tal consulta, pois nunca mais voltei a vê-lo. Aquando da minha incredulidade sobre a minha capacidade para a composição musical ele afirmou: “Não se preocupe! A música vem do plano astral onde ela já está criada, as pessoas pensam que criam algo de novo mas isso não é verdade, elas apenas copiam do plano astral. Você vai ouvir as músicas dentro da sua cabeça!” É verdade que houve músicas que as ouvi dentro da minha cabeça. Outras houve em que comecei a cantarolar espontaneamente mas todas dão-me, posteriormente, imenso trabalho: é a gravação da voz, são os arranjos, é a mistura de voz e instrumentos. São muitas horas, muitos dias, muitas semanas, muitas vezes à volta de uma só música. A música tem de se aproximar de algo que eu considero ser o seu formato, a sua personalidade. Parece um ser vivo com um determinado corpo físico. Torna-se difícil eu ficar satisfeita enquanto eu não sentir a tal coisa que me diz que a música está feita (será a tal cópia do plano astral?). São frequentes as semanas com muitas horas de discussão feia – eu e o Marcus Levy. Porque o Marcus considera que a música já está acabada, porque eu considero que os arranjos têm de ser refeitos, porque o Marcus se passa da cabeça quando eu lhe digo que vou alterar o género musical da canção. O Marcus passa-se da cabeça quando é preciso começar tudo de novo! As mesmas dores de cabeça! - “Já viu a quantidade de horas, dias, semanas deitados ao lixo?! Já viu o dinheiro que você está a deitar fora?! Nunca mais saímos desta música! E ainda falta trabalhar as outras!” “Marcus, não me interessa! Já estou perdida! Que se lixe o dinheiro! Não gosto conforme está! Não gosto! E ponto final!” “Mas ainda ontem disse que gostava da música e que estava tudo OK!” “Não disse nada, disse que estava mais ou menos OK!” “Você já reparou que está sempre a mudar de ideias?!” “Não estou não! Eu sou uma criadora! Não vê que eu estou a sofrer!” “Mulheres!” “Que cara foi essa Marcus?” “Não foi nada. Ouviu-me dizer alguma coisa?” Na primeira maquette de “Incenso”, em 2004, eu cantei livremente e só depois o Marcus Levy, seguindo a voz, fez a execução instrumental. Significa portanto que não pude fazer a afinação da voz. Os instrumentos metiam-me confusão: não acertava no ritmo, a voz à frente da bateria ou a bateria a fugir de mim; a guitarra incomodava plim+plim, depois mais um instrumento daqui e outro dali. Cantar músicas conhecidas é bem mais simples- é só reproduzir. Tive que ensinar a mim própria. Depois, mais tarde, em 2005 regravei a maquette de “Incenso” que depois interrompi para iniciar o “Extreme”. “Incenso” e “Incienso” neste ano de 2007, mais tardar início de 2008, também serão concluídos. Por falta de dinheiro e tempo, não refiz, quando já tinha mais experiência, estes dois últimos projectos de raiz. O “Extreme” é mais “profissional” mas o “Incenso/Incienso” veio do fundo do meu coração - consegui expressar-me mais livremente - português/espanhol há pouca diferença. O inglês limitou-me um pouco pois é uma língua que domino apenas levemente. Mesmo eu podendo pensar em português e depois pedir uma tradução nas partes mais complexas, existe o risco da tradução, à letra, ficar incompreensível a quem tem o inglês como língua materna. Torna-se complicado para o tradutor expressar exactamente o que vai na cabeça do artista, não tanto no conteúdo mas na forma literária de se expressar. As canções, onde as letras usam apenas algumas frases para expressar muitos sentimentos/ideias, dificultam ainda mais a tarefa da tradução. Relativamente ao músico do email, ele e a banda andam por aqui e ali. Ainda batalham/sonham por se tornarem conhecidos internacionalmente. Vão trabalhando com um ou outro músico no estrangeiro - Brasil, França, Espanha, USA. Não sei como conseguem estes contactos, mas apesar de trabalharem, ocasionalmente, com músicos internacionais, isso não os projectou internacionalmente conforme o desejavam - o sonho de qualquer banda portuguesa que canta em inglês Por cá a popularidade dele e da sua banda, já não é o que era. Estou totalmente desligada dele. Nunca mais lhe dirigi palavra alguma, desde aquela altura em que lhe enviei as letras, coincidindo com a altura em que consultei a curandeira, já lá vão quase sete anos. Foi de facto uma paixoneta, nada mais. Desejo a ele e à banda que consigam viver, economicamente, da música até aos últimos dias das suas vidas pois é uma paixão que se entranha para sempre. Popularidade, no sentido comercial baseado na venda de CDs e/ou bilhetes para concerto, é difícil de manter por ser difícil saber como mantê-la. Uma das dificuldades é a habituação do público ao artista/banda e portanto, deixa-se de ser novidade - a estética musical dos temas já não cativam tanto. Muitas vezes o artista/banda com desejo de manter a sua popularidade agarra-se a “fórmulas musicais” do passado que lhes garantiram alguns sucessos. Também podem optar por copiar “fórmulas” dos hits musicais do momento. Quando este último caso sucede será falta de confiança em si próprio? Desejo de aceitação imediata dos temas musicais por parte do público? Falta de criatividade? Preguiça? Economia de tempo? Desejo de lucro certeiro? Ânsia por dormir bem e não quer perder horas de sono/stress/queda de cabelo com questões de criatividade? Fuga aos pesadelos? Só quer bons sonhos que envolvam mansões e bons carros? Não sei. Provavelmente inovar na música, na arte culinária e/ou no sexo seja difícil. Já esteja tudo inventado! No “myspace” localizei-me em Los Angels, USA! Não estava lá escrito que o país a indicar tinha de ser no tempo presente, então pus-me no futuro! Gosto do meu país mas se até o Vinho do Porto, que não tem pernas nem boca, quis correr mundo é porque lá fora há muito para ver! Gostaria de abrir asas e conhecer o mundo! Agradeço a Deus todo o trabalho que teve em fazer com que tudo fosse possível para mim - o facto de me dar músicas que eu ouvia na minha cabeça, o facto de me dar inspiração de qualidade na escrita de canções e uma enorme quantidade de sincronismos, incluindo videntes. No entanto a minha simples credulidade em simples videntes poderia ter resultado no nada. A quem me indicou um caminho e disse: “Vá por ali e encontrarás um palácio!”, agradeço. O palácio até pode lá estar mas sou eu que tenho de caminhar até lá e carregar o fardo do caminho. As nossas dores ninguém as sente totalmente excepto Deus que pega em nós ao colo quando o cansaço nos vence (vi uma vez esta ideia ilustrada num postal e gostei muito). Preciso dum agente! Diplomático, inteligente, com nervos de aço, carácter forte e leal. O ideal seria ter um agente nos USA, outro aqui, outro acolá e mais acolá! Fácil, não? É mais uma dor de cabeça! Os meus pressentimentos continuam. Sempre tive um bom, e peculiar, pressentimento em relação ao cantor Robbie Williams. Embora tudo me pareça impossível e distante… Robbie Williams! Eu precisava dum trabalho extra para ter algum dinheiro e sair daqui! Posso escrever algumas canções para ti? Podem ser sete?! Gostaria de voar para L.A., USA e testar a minha sorte! Se dependesse de mim poderiam ser mais canções, mas digo apenas sete por eu ser modesta no pedir e porque já terás a tua equipa de trabalho definida há muitos anos. Posso trabalhar em regime de exclusividade e sob anonimato! Não preciso que me seja dito sobre o que devo escrever pois, quando estou em sintonia com alguém consigo “ver” o que lhe vai na mente e no coração. É só pedir que as músicas aparecerão escritas! Please!!! Não tenho recursos financeiros para mais projectos musicais e tenho o problema de que quando começo tenho dificuldade em parar: duas canções, depois três… e acabo em treze! Seria muito penoso para mim ver as músicas abortadas por falta de dinheiro. RobbieWilliams! Posso também dar sugestões para os arranjos das referidas canções e ainda conceber o guião dos video-clips dessas sete canções! Aceitas? (Estou tranquila, posso falar à vontade, duvido que ele, Robbie Williams, venha à minha procura… Ele não sabe que eu existo.) Algo tem de suceder na minha vida! A minha vida tem de mudar! Eu cheguei até aqui não por ser uma heroína, mas por não ter ponderado, e medido bem, as consequências dos meus actos, não conheço o meu amanhã na música, se é que o tenho. Falando ainda de heróis, gosto de ler autobiografias de pessoas excepcionais. Indico aqui três: “Mais forte que o ódio” de Tim Guénard (Editora Livros do Brasil); “Eu, Phoolan Devi” de Phoolan Devi (Editora Difel); “Místicos e Mágicos do Tibet” de Alexandra David-Neel (Publicações Europa-América). Também gosto de livros que abordam o reino animal e a natureza em geral. Um livro fantástico é “Supernatural” de John Downer (Editora Terramar) que aborda os poderes ocultos dos animais e das plantas e “As mensagens escondidas na água” de Masaru Emoto (Editora EstrelaPolar). Sobre sincronismo, recomendo “ O Tao da Psicologia” da psiquiatra Jean Shinoda Bolen (Planeta Editora) Agora tenho de dizer adeus. Eu e vocês, um dia, talvez nos vejamos em concerto. Um grande abraço. |